Conforme o trenzinho ia descendo mina adentro, a sensação era de voltar ao passado. A cada corredor, cada luz fixada nas paredes de pedra, imaginava o trabalho duro e braçal dos escravos do século XVIII que circulavam por ali.

Para quem vai apenas passear, a temperatura é amena e há aqueles que até preferem colocar um casaco para não passar frio aos 20ºC. 300 anos atrás, porém, a situação era outra: os escravos que entravam na Mina da Passagem, em Ouro Preto, sentiam era muito calor e suor por conta do trabalho braçal, cansativo e repetitivo que faziam escavando as paredes em busca de ouro.

Os visitantes descem em um carrinho de madeira, que funciona na base de cabos, e ficam pouco tempo lá embaixo a 120 metros da superfície. Antes, o escravo passava horas à espera da sorte de encontrar uma pedrinha sequer que reluzisse.

Durante a época do ciclo do ouro, a estimativa é que tenham sido retiradas 35 toneladas de ouro da Mina da Passagem. A guia que vai acompanhando o grupo, e explicando o funcionamento da mina, diz que o número pode ser até maior, já que muito ouro extraído naquela época não era contabilizado, ou seja, era furtado.

Nas redondezas da mina, que fica bem no limite entre Ouro Preto e Mariana, a estimativa é de que 35 mil escravos tenham morado por ali. Um pequeno museu instalado na área da Mina ajuda a relembrar como era o trabalho através dos objetos que eram utilizados na extração.

Saiba mais:

Entre os corredores da mina, alguns lagos se formaram. A exploração foi tanta que chegaram até o lenço freático e agora parte da mina está inundada. No mar azul que se formou entre as galerias, somente os mergulhadores se arriscam para descobrir este pedaço da história submerso.

Não era só a esperança do ouro que motivava os escravos. Muitos deles também encontravam forças na oração à Santa Gertrudes.

Um altarzinho para a santa, que protege os aflitos e endividados, está montado entre os corredores da mina, com uma toalha vermelha de rendas e dois vasinhos de flores.

A mina hoje está desativada e paga-se R$ 50 para visitação. No final do passeio, o guia demonstra o processo da separação do ouro, por meio de um processo químico chamado levigação.

O nome é complicado, mas serve para explicar que aquele material retirado da mina – ouro junto com areia – é separado por meio de água.

Com movimentos circulares em um recipiente redondo, a areia, por ser menos densa, é arrastada com a água. Enquanto isso, o ouro, mais denso, fica ali.

O acesso para a Mina está bem na beira da estrada que liga as cidades de Mariana e Ouro Preto. Há placas indicando o local e existe um ponto de ônibus bem frente da estrada.

As visitas são liberadas de domingo à domingo, das 9h às 17h30. Apenas nas segundas e terças-feiras o fechamento acontece um pouco mais cedo, às 17h.

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