A experiência de trilhar na Chapada das Mesas

Publicado em 30 de setembro de 2019

Maiara Barbosa

Ao horizonte, mesas e mais mesas se elevam do chão nos mais diferentes tamanhos e formas. Entre a vegetação do Cerrado, o Rio Tocantins contorna as rochas esculpidas pelo vento e pela chuva.

Entre tantas paisagens naturais avistadas das estradas e das cachoeiras da Chapada das Mesas, nenhuma supera o cenário do Refúgio Ecológico Serra Torre da Lua, que fica já no estado do Tocantins, na cidade de Filadélfia. Mais do que avistar o conjunto de formações das mesetas, a trilha (passeio exclusivo da agência Torre da Lua) te leva ao topo de uma das mesetas.

O Refúgio Ecológico conta com quatro opções de trilha que variam entre os graus fácil, médio e intenso de dificuldade. Na Travessia Serra Torre da Lua são 13,6 km de trilha de nível moderado.

O caminho passa por dois mirantes e um deles chama-se Tributo. Mais do que um lugar de contemplação, o pico é cenário de histórias que deixam saudades. A propriedade pertence à família Ayres desde 1849 e Dr Ivan, médico natural do Rio de Janeiro, ia uma vez por ano até a cidade de Filadélfia, no Tocantins, para visitar o Refúgio Serra Torre da Lua. Assim que pousava o avião, atendia alguns moradores ali mesmo no topo da serra.

O médico faleceu, os anos se passaram, mas a família continuou com uma forte ligação com o local. O genro, Joberto Soares hoje administra o local. Suas netas, mesmo que distantes, herdaram a paixão pelo Cerrado e sempre fazem a trilha quando visitam o local. Uma das netas de Dr Ivan, Cinthia Noleto, se mudou para Carolina e segue a frente da agência Serra Torre da Lua, fundada pela família.

Raquel, a neta mais velha, formou-se em em agronomia e sempre gostou de plantas e da natureza. Porém, aos 39 anos ela faleceu de leucemia. Cinthia, que era sua irmã caçula, relembra com muito carinho da irmã e diz que ela era “espírito de luz que ensinou a gratidão, o amor a família, a amizade, a força e a resignação.”

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Saiba mais:

A trilha até a Serra Torre da Lua era um dos passeios preferidos de Raquel, que gostaria que suas cinzas fossem entregues ao vento lá do alto. Além de atender o pedido daquela que não reclamou diante das dores e manteve a simplicidade e a humildade nas horas mais difíceis, um dos mirantes mais bonitos da trilha foi batizado em sua homenagem: Mirante do Tributo. Naquele lugar, em época de chuva, também escorrem as águas de uma cachoeira para lembrar que a memória de Raquel sempre estará presente entre os membros da família.

A subida da serra é feita na trilha antiga do manejo do gado. Ao longo da caminhada são apenas duas subidas que exigem um pouco mais de fôlego. Em uma delas, de apenas 150 metros de extensão, o caminho é íngreme e de rochas soltas.

Apesar da altitude de apenas 550 metros, o visual nos faz parar por alguns instantes e admirar a natureza ali, tão intocada. O cansaço e o esforço são esquecidos na pausa para o lanche,  já quase no final da trilha.

Bolachas de água e sal, frutas, amendoins e barrinhas de cereais se tornam um banquete improvisado em meio às sombras das árvores. O que se avista dali, restaurante nenhum é capaz de oferecer.

Na volta, o caminho fica ainda melhor com a pausa em uma cachoeira. Diante da grandiosidade das demais cachoeiras da Chapada das mesas, a pequena Cachoeira da Luiza, seria simples demais para o banho. Porém, com o cansaço e o calor após a trilha, mesmo com muitas rochas no fundo do pequeno poço, ela se torna a melhor cachoeira de todas.

Outro banquete é servido na sede do sítio na hora do almoço, com o melhor tempero caipira. Como sobremesa, além das frutas, a dica é descansar nas redes armadas embaixo das sombras do pé de manga.

Pôr do sol no Rio Tocantins

Após o descanso, entre o som de pássaros e galinhas soltas no quintal, o passeio continua de barco pelo Rio Tocantins. As águas delicadas do Rio Tocantins encontram, mais uma vez, a agressividade das formações das mesetas que contornam o horizonte para todos os lados que se olhe.

Entre as formações mais retas, o Morro do Chapéu é o que mais se destaca. Há ainda mesetas com formatos mais pontiagudos. Todos são cobertos por vegetação, mas, em alguns pontos, a formação rochosa fica mais visível.

Em meio a tantas formações rochosas surpreendentes, a Pedra Encantada se destaca ao surgir das águas no meio do Rio Tocantins. Dizem que ela recebe esse nome, pois, antes da construção de uma hidrelétrica na região, era muito difícil de avistá-la.

O que antes somente era possível durante grandes estiagens, agora está visível a todos, a qualquer época do ano, já que a hidrelétrica alagou áreas vizinhas e baixou um pouco o nível do Rio Tocantins.

Quando o sol vai se despedindo, se abaixando em direção ao rio, até mesmo as ondas do barco mudam de cor. Os últimos raios pintam o céu de dourado, enquanto que as mesetas e as palmeiras dão o contraste na paisagem.

De volta à Carolina, poucas cores resistem no céu enquanto a lua e as estrelas chegam. Ainda assim, a brincadeira não teve fim para as crianças na beira do Rio Tocantins.

Para se programar:

A agência Torre da Lua trabalha com o turismo sustentável, de base comunitária e sempre preza pela conservação da natureza. Por conta disso, todos os passeios oferecidos acontecem em grupos pequenos e com responsabilidade ambiental.

Além disso, a rapidez e a dedicação no atendimento online são outras vantagens da agência para quem busca informações na hora de escolher os roteiros e fazer as reservas.

Na Chapada das Mesas, a melhor opção de hospedagem é a cidade de Carolina por conta da infraestrutura. Além de mercados, padarias e farmácias, a cidade oferece diversas opções de lanchonetes, restaurantes e barzinhos. Entre as pousadas, a Pousada dos Candeeiros se destaca por preservar a história da cidade e trazer conforto aos hóspedes.

São 42 quartos em um antigo casarão do século XIX que passou por reforma. Todos eles contam com chuveiro elétrico, frigobar, ar-condicionado, televisão e várias redes de wi-fi.

O café da manhã é reforçado para o dia de aventuras e inclui opções de frutas, sucos, bolos e pães. O serviço de limpeza de quarto é realizado, de maneira impecável, diariamente e a pousada ainda oferece uma piscina para relaxar e cadeiras na calçada para sentar e conversar, bem à maneira do povo de Carolina.

*A viagem para a Chapada das Mesas teve apoio da agência Torre da Lua Ecoturismo da Pousada dos Candeeiros. Apesar disso, as informações aqui descritas são livres de qualquer contraprestação.

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9 Comments

  1. Alisson Roberto

    Ainda quero viver essa experiência! Que lugar lindo! Natureza desenhada. E quanta coisa pra se ver e fazer! Adorei e anotei as dicas!

  2. Tenho vontade de conhecer essa chapada.. mas me preocupo com as trilhas. Não gosto de trilha e sou muito sedentária hahaha. Vc acha que é viável ou precisa ter algum preparo maior?

  3. Que texto incrível de um lugar lindo e paradisíaco! Amei ver a natureza exuberante e o casarão oitocentista revitalizado é um verdadeiro encanto!

  4. Duas coisas que preciso urgente fazer e esse post me inspirou: voltar a trilhar e conhecer o Tocantins!

  5. Que post espetacular! Parabéns!
    Ouvi falar da Chapada das Mesas há pouco tempo e fiquei apaixonada quando vi fotos e seu post só me fez admirar ainda mais este destino!
    Anotei aqui a dica da agencia Torre da Lua, mas minha versão Dora Aventureira ia escolher o nível leve de trilha hahaha!
    abraços

  6. Que demais, fui para a chapada e não fiz trilha, já quero voltar para fazer também!!

  7. Mariângela Sá

    Maiara, que post mais bonito, quanta delicadeza para descrever um lugar tão lindo! Como você teve a ideia de ir para este lugar tão incrível?

  8. Que lugar! Que vibe! Estou paquerando esse destino há algum tempo…quem sabe ano que vem eu consiga visitar. 😉 E, claro, vou usar todas suas dicas que são super completas!

  9. Que texto maravilhoso! Esse contato com a natureza é revigorante. Ainda não conheço a Chapada das Mesas mas quero muito ir em breve e já anotei as dicas, pois gosto muito de trilhas assim.

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