A arte das rendeiras de Raposa

Publicado em 19 de agosto de 2019

Maiara Barbosa

O toc-toc das agulhas amarradas em madeiras é ouvido por todos os lados no Corredor das Rendas, no centro de Raposa, cidade próxima de São Luis do Maranhão. O som, que poderia até virar música, é apenas o primeiro sinal da arte feita com a mão das rendeiras desde a década de 1950.

A pressa passa longe dali. Para cada peça, é preciso dedicação e tempo. Nas varandas, nas calcadas, nas lojas lá estão elas, tecendo as linhas para a renda de birlo. A única vez em que a velocidade é notada é na agilidade das mãos com o trançado no birlo, um cilindro de madeira macaúba, palmeira própria de florestas tropicais.

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Saiba mais:

São os birlos que sustentam as linhas que são rendadas. Para uma peça, a rendeira pode usar mais de 300 birlos, mas só quatro são trançados ao mesmo tempo. Diante de uma almofada, em que são fincados espinhos de mandacaru para fixar o papelão com os desenhos, a renda vai nascendo.

O jeito lento de falar e o sotaque trazem mais encantos ainda para a explicação. Uma das rendeiras conta que são 10 pontos diferentes. Para uma toalhinha pequena é preciso quase uma semana de trabalho. Já para uma colcha de casal são necessários três meses de dedicação.

A técnica, porém, não é nativa do Maranhão. Famílias de pescadores do Ceará que migraram para Raposa foram quem levaram o artesanato para a cidade. No calendário das rendeiras ainda há tempo para confecção de jogos americanos, caminho de mesa, almofadas, cortinas, saídas de praia e muito mais. O resultado é mais do que uma peça de decoração. É uma obra de arte!

Diferentemente de muitas mulheres que aprenderam o bordado com a mãe, outra rendeira conta que não teve a ajuda materna na lição. Quando ainda era jovem, sua mãe sofreu um AVC e desde então, suas mãos não são mais ágeis para o trançado e os dedos não respondem mais os comandos.

A memória e o sorriso no rosto, porém, continuam. Felicidade tornou-se observar o movimento da rua e as prateleiras coloridas e cheias de produtos na loja, sentada em uma cadeira de balanço. Para cuidar da mãe, sem a ajuda dos demais irmãos, a rendeira toca a loja de bordados sozinha e conta com a fé em Deus para ter forças de seguir adiante.

Enquanto isso, ela mostra com orgulho as fotografias antigas da família penduradas numa parede, próximo de onde chegou a tecnologia através da maquinha de cartão de crédito.

Para se programar

A melhor maneira de chegar até Raposa é de carro, já que são apenas 30 km de distância de São Luis. Há ainda a opção do transporte por aplicativos e ônibus intermunicipais que saem do Terminal de Integração Praia Grande. A passagem custa R$ 3.40 e a viagem demora cerca de 1h30.

Em um dia é possível conhecer o corredor das rendas e também a produção de pesca de uma das maiores colônias de pescadores do Maranhão. Para quem deseja passar mais tempo ainda em Raposa, há praias para se visitar, criatório das Ostras e opções de passeios pelos iguapés e pelas Fronhas Maranhenses. A contratação do serviço pode ser feita diretamente no Viva Raposa e no Porto do Braga.

O Centro de Atendimento ao Turista funciona na Rua do Coqueiro, s/n, na Praça do Viva.

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4 Comments

  1. Marcelo Pereira

    Apaixonado por essa foto de abertura do post com as linhas enroladas nas cabaças. Eu sou um grande apreciador das artes manuais. Quanto trabalho lindo e cheio de história. Amei a dica, quero ver isso tudo de perto. Morri de amores pela toalha telada com os quadradinhos coloridos. Lindas peças!!!

  2. Marília Sobral

    Imagine, uma semana para fazer uma toalhinha? E depois muitos acham que o preço cobrado é “caro”. Eu valorizo muito o trabalho artesanal e achei sensacional você mostrar aqui o trabalho tão lindo destas rendeiras. 🙂

  3. Lorena Rocha

    Que lindo!!! Sou do Ceará e sei bem do amor que as rendeiras empregam em cada peça!!!

  4. Realmente uma obra de arte! Que delícia conhecer e entender mais sobre o trabalho delas.

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