Alcântara: uma cidade em meio às ruínas cheia de cultura

Publicado em 26 de agosto de 2019

Maiara Barbosa

As ruínas revelam a história de Alcântara, no Maranhão. Entre as ladeiras, manifestações culturais e religiosas, o clima pacato torna o passeio uma volta no tempo. As ladeiras são um marco na geografia da cidade. O calçamento de pedra não dificulta o caminhar quando se encontra azulejos em relevo nas fachadas e casarões fotogênicos do período colonial.

O padrão de letreiros dos comércios no Centro relembra os filmes do começo do século passado. Escritos à mão e com fachadas coloridas, é quase inevitável querer entrar em uma farmácia ou em um açougue, mesmo sem uma lista de compras.

Do lado de fora, na calçada, os moradores ficam ali sentados observando o tempo passar e o vai e vem de motos que fazem o serviço de táxi na cidade.

Alcântara teve seu auge no período ciclo da cana de açúcar e guarda importantes registros da época da escravidão. Após a abolição, a cidade chegou a entrar em decadência, mas foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1948. A Praça da Igreja Matriz se assemelha com uma sala de aula de história. Entre os museus, o pelourinho e a Câmara ajudam a recontar o passado da cidade.


Enquanto o Museu Casa Histórica de Alcântara está instalado em um sobrado onde funcionava uma botica, que também comercializava tecidos, artigos de armarinhos e alimentos, o Museu Histórico de Alcântara fica no sobrado que pertenceu ao Barão de São Bento e o acervo reúne mobiliário, louças e peças de arte sacra. Nos dois pavimentos, é possível imaginar como funcionava a vida da sociedade em Alcântara no seu auge econômico.

O pelourinho de Alcântara é o único original da época do Brasil Colonial que ainda está instalado em uma praça. O monumento simbolizava o poder de Portugal e era ali em que os documentos enviados do Império eram lidos para a população.

O marco de poder também representa um momento triste da história, já que era em praça pública em que os escravos recebiam castigos a fim de que servissem de “exemplo” do que poderia acontecer em caso de mau comportamento.

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Saiba mais:

Alcântara também abriga vários quilombos que fazem questão de manter as características do povo que ajudou a construir a sua história. Uma das maiores expressões dos afrodescendentes é o Tambor de Mina, religião de matriz africana, que nasceu no Maranhão e tem um repertório próprio de cantos, danças, instrumentos, adereços, comidas e rituais.

A importância de Alcântara não ficou apenas no passado. A cidade tem o Centro de Lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira, que faz testes para, futuramente, realizar o lançamento de foguetes no espaço.

Ruínas de Alcântara

Se por um lado grande parte dos casarões coloniais está preservada, mais até que os do Centro Histórico da capital São Luis, por outro, andar por Alcântara é encontrar ruínas de construções que ficaram paradas no tempo. As histórias, porém, resistiram e relembram a competição entre os barões para construir palácios para a visita de Dom Pedro II, que nunca se concretizou.

Entre as ruínas, o clima bucólico ganha força no caminho até a Rua da Amargura. Entre muros vazios e a vegetação que insiste em crescer, era por ali o caminho de despedida até o cais da cidade. Viagens longas, ou sem volta, separavam as famílias inteiras de Alcântara a partir do mar.

Fé no Divino, as Igrejas de Alcântara e suas curiosidades

Assim como acontece em São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, a devoção ao Divino Espírito Santo é um marco em Alcântara. Em época de festa, a cidade não dorme e vive cheia de visitantes, de música e ganha um colorido especial.

Se em Pirenópolis, em Goiás, a Festa do Divino é marcada por mascarados e cavalhadas, em Alcântara são as caixeiras as figuras indispensáveis. Mulheres, geralmente com mais de 50 anos, que utilizam da sua fé para tocar com força as caixas pelas ruas da cidade, acompanhando todas as cerimônias da festa.

A Festa do Divino acontece após a Páscoa e dura dez dias. Por não ter uma data fixa no calendário, a cada ano ela é realizada numa data diferente, porém, geralmente, entre os meses de maio e junho.

O tombamento dos prédios históricos de Alcântara veio tarde demais. O tempo não perdoou a Igreja Matriz de São Mathias, da qual só sobrou a fachada e algumas ruínas na praça principal.

Sem um altar para chamar de seu, o santinho padroeiro da cidade precisou pedir abrigo na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com quem divide o altar atualmente. Sua imagem fica num lugar de destaque dentro da igreja do século XVII, construída em estilo barroco.

Outro fato curioso que envolve a igreja de Nossa Senhora do Carmo são as esculturas de anjinhos presentes no altar. Antes de uma reforma todos estavam nus. 

No passado, porém, o padre que comandava a igreja achou por bem retirar os pênis dos anjinhos pelados. Sem uma explicação certeira para o que aconteceu, apenas um dos anjinhos foi poupado do restauro e permanece no altar com o pênis a mostra.

O fato despertou a atenção dos visitantes que hoje procuram o tal anjinho pelo altar da Igreja.

Já na capela de Nossa Senhora do Deseterro, um pedido dos devotos foi capaz de mudar a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes de lugar. Às margens da Baía de São Marcos, a capela foi construída no alto de um morro para que quem estivesse no mar pudesse avistá-la ao se aproximar da costa. Os pescadores, porém, gostariam que a imagem da santinha não ficasse dentro da igreja.

Como se o poder de bênção pudesse aumentar, a intenção era deixar Nossa Senhora mais próximo de quem estava no mar, por isso, a imagem foi retirada de dentro da igreja e colocada na lateral direita da igreja, de frente para o mar à vista.

Outra história que circunda a Capela de Nossa Senhora do Desterro são os dois sinos que também ficam do lado de fora. Diz a lenda que, quem fizer um pedido e tocar os sinos com força terá o seu pedido atendido. 

O melhor da gastronomia de Alcântara: o doce de espécie

Coco, açúcar, água, farinha de trigo, óleo e sal são os ingredientes do doce mais famoso de Alcântara. O doce de espécie tem o formato de uma tartaruguinha e se popularizou por ser distribuído gratuitamente na Festa do Divino.

Seu Antônio é um dos vendedores mais tradicionais do doce de espécie de Alcântara. Sua loja fica na Rua das Mercês e lá é possível comprar o doce por unidade, ou em bandeja.

A pedida para quem decide pernoitar em Alcântara e busca um lugar para sair à noite é o Café com Arte, que fica em um dos casarões históricos e promove discussões políticas, artísticas e culturais, com o serviço de cafeteria.

Para quem busca refeições, um dos melhores temperos está no Restaurante da Dona Maria, na Ladeira do Jacaré. Além dos preços, o que chama a atenção por lá também é a receptividade e o sorriso no rosto da equipe da cozinha. O telefone de lá é o (98) 9153-1122.

Já quem busca por lanches e aperitivos, o Espaço São Benedito reúne uma diversidade gastronômica, com mesinhas e música.

Onde ficar em Alcântara?

Alcântara conta com algumas pousadas na região central, porém, nem todas estão disponíveis para consulta e reservas pela internet. Apenas a Pousada La Maison du Baron e a Pousada Bela Vista contam com página própria ou são encontradas nos sites de reserva de hospedagem. A Pousada Bela Vista, apesar da sua estrutura com piscina, jardim, lounge e quartos decorados, fica longe do centro, deixou a desejar no atendimento e não possui uma boa rede de wi fii nos quartos. Para quem, ainda assim, deseja conhecer o espaço, a sugestão é um day use.

 

Confira aqui outras sugestões de pousadas em Alcântara:

Pousada do Jacaré

Avenida Getúlio Vargas, 48 – Praia

Contato: (98) 9 9191-0302

Pousada Pedra Cantaria

Praça das Mercês, s/n

Contato: (98) 9 9198-3089

Pousada Sossego

Rua do Sossego, s/n

Contato: (98) 3337-1091/1261 e (98) 9 9132-1469

Pousada Sítio Tijupá

Rua de Baixo, 5

Contato: (98) 3016-0709 e (98) 9 9133-2009

Pousada La Maison Du Baron

Rua do Sossego, 10

Contato: (98) 3337-1339 e (98) 9 9142-1636

Pousada dos Guarás

Rua da Baronesa, 4

Contato: (98) 9 8422-2453

Pousada da Josefa

Rua Direita, s/n – Centro

Contato: (98) 3337-1109 e (98) 9 9174-9607

Pousada Jardim do Éden

Rua da Baronesa, s/n – Caravelas

Contato: (98) 9 9204-3318

Como chegar em Alcântara?

Alcântara fica do outro lado da Baía de São Marcos e a viagem dura uma hora de lancha (ou catamarã) partindo de São Luis. As saídas acontecem diariamente, mas os horários variam de acordo com a maré.

O valor da passagem pela Lancha Bahia Star é de R$ 15. Os contatos da empresa para a reserva do bilhete e informações são: (98) 9 8445-1699, (98) 9 9843-1237 e (98) 9116-8533. A saída acontece do Cais de Praia Grande, em São Luis. Já em Alcântara, o embarque e o desembarque é no Porto do Jacaré.

Para se locomover por lá, caso precise, indico o Seu Milton, que é mototaxista em Alcântara e faz os melhores preços.

Seu jeitinho tímido conquista a todos, mas, atenção: não esqueça de chamá-lo com antecedência e reforçar algumas vezes o horário para que ele não se atrase!

Caso isso aconteça, a risada será garantida com as suas “desculpas” pelo atraso. O “zap” do Seu Milton, como ele mesmo diz, é o (98) 9118-2280.

Todas as informações, detalhes e curiosidades de Alcântara não seriam revelados sem a companhia da guia Caroline Aranha. Cadastrada pelo Ministério do Turismo, a jovem transmite todas as informações com convicção e amor à cidade que lhe acolheu.

Com carinho também, ela recebe seus visitantes, te ajuda desde a reserva da lancha, até na escolha do restaurante (isso quando não ganha a sua amizade e vai junto também). O final de semana em Alcântara ao lado dela foi de descobertas e aprendizados! O contato da Carol é o (98) 8410-7372.

Prova maior da sua competência, é o carinho que ela recebe nas ruas quando é abordada pelos próprios moradores da cidade. Carol oferece o city tour histórico por Alcântara e também faz passeios para a Ilha do Livramento, pelos quilombos de Itamatatiua e Santa Maria, além de acompanhar os visitantes para a revoada dos guarás e nos banhos rios e praias.

*A viagem para a Alcântara teve apoio da guia Caroline Aranha. Apesar disso, as informações aqui descritas são livres de qualquer contraprestação.

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9 Comments

  1. Tô encantada com essas ruínas no Maranhão! Não fazia ideia que tinha um ruínas lá! Muito lindo

  2. Caroline Rodrigues

    Nossa menina! Eu Amo Ruínas! Não sabia que tinha ruínas aqui no Brasil! E essa parte gastronomica então? Falou a Minha língua! Achei MARAVILHOSA e me deu água na boca!

  3. Nunca tinha ouvido falar de Alcantara! Maravilhoso essa cidade! O Dia que eu for a São Luis essa cidade vai entrar na lista de passeios. 😀
    Parabéns pelo Post!

  4. José Marques

    Adorei o post cheio de informações e dicas! Eu ainda não tinha ouvido falar de Ancantara. Que lugar mais lindo e cheio de história. Está na minha lista “preciso ir com urgência”!

  5. Que lindo post Maiara! Eu nunca tinha ouvido falar de Alcântara mas parece ser uma cidade linda principalmente por nos transportar para a época da escravidão e ter tantas coisas preservadas daquela época! Adorei as ruínas, que bom que estão firmes e fortes preservando a história do nosso Brasil!

  6. Me falta conhecer Alcântara agora. Tenho verdadeiro apreço pelo Estado do Maranhão

  7. A coisa que eu mais fiquei louca pra experimentar é esse doce hahahah mas muito interessante saber mais sobre lá! Parabens pelo post!

  8. Não tinha ideia que Alcântara tinha tanta história . Fiquei impressionada com suas ruínas e doida pra provar esse doce de espécie porque adoro tudo que leva coco. Preciso conhecer .

  9. É claro que eu quero conhecer Alcântara no meu roteiro pelo Maranhão, anote as dicas da guia e mototáxi 🙂

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