Fotos: Gabriel Pinheiro

Foi nessa igreja aqui que eu fui batizado, sabia?

A Igreja de Nossa Senhora da Vitória não é, nem de longe, uma das mais procuradas por quem visita Salvador. Para mim, porém, ela se tornou especial, já que ali, o amigo da internet (que trouxe para vida real), como ele mesmo fazia questão de repetir inúmeras vezes, foi batizado!

A igreja, aliás, foi o primeiro lugar que visitei em Salvador. Com tantas igrejas na cidade, 365 para ser mais exata, é difícil fazer uma seleção entre elas. Além de gostos, tradições, milagres e fé, os templos ajudam a recontar a história da cidade e, por isso, valem serem visitados até mesmo por quem pratica outra religião (ou nenhuma).

Igreja Nossa Senhora da Vitória

Talvez o cenário mais belo da igreja esteja fora das paredes construída pelos portugueses no século XVI. A arquitetura barroca, os afrescos e os objetos de arte sacra foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas a vista que se tem dos fundos da igreja arranca os maiores e mais demorados suspiros!

No início do Corredor da Vitória, a igreja foi construída de costas para a Baía de Todos os Santos. O espaço foi revitalizado e ganhou um deck de madeira, muito procurado no final da tarde para se avistar o pôr do sol.

Uma devota, com os joelhos ao chão e terços na mão, interrompeu sua oração e nos contou uma das curiosidades que envolve a igreja: ao se aproximar do altar, o desenho de um anjo se revela no topo da parede, coisa que, quem está nos fundos da igreja, não enxerga.

Segundo ela, o final da tarde é o melhor horário para visitar a igreja que, além do espetáculo do pôr do sol, fica colorida com o reflexo dos raios sobre os mosaicos.

Saiba mais:

Igreja e Convento de São Francisco

A simplicidade pregada por São Francisco passou longe da construção iniciada no século XVII no Pelourinho. O dourado que reluz da quase uma tonelada de ouro utilizada nos ornamentos traz ares de luxo para o templo.

Considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, a Igreja de São Francisco foi construída no estilo barroco. Já no lado de fora, os azulejos do pátio do convento são o destaque em meio aos corredores construídos com arcos. Ainda é possível visitar uma sala de exposições que guarda selos antigos.

A história popular diz que o projeto inicial previa apenas uma torre para a igreja, mas, durante uma “competição” com a construção da Igreja da Sé, que fica em frente à Igreja de São Francisco, para ver qual seria a igreja mais pomposa, resolveu-se erguer mais uma torre. A visita a Igreja e ao Convento de Francisco custa R$ 5.

Catedral Basílica

A igreja que teria provado “ciúmes” aos construtores da Igreja de São Francisco foi fundada pelos jesuítas. O acervo de arte sacra da igreja é um dos mais valiosos do Brasil. No total são 13 altares dentro do templo. O conjunto arquitetônico foi tombado em 1938 e, atualmente, está na lista do IPHAN.

Assim como as igrejas de São Domingos de Gusmão e São Pedro dos Clérigos, a Catedral Brasílica de Salvador está numa região conhecida como Terreiro de Jesus.

Basílica do Senhor do Bonfim

O pedido de um capitão do mar para sobreviver a uma tempestade daria início a uma das tradições mais lindas e mais conhecidas da Bahia e do Brasil: a devoção a Nosso Senhor do Bonfim. A festa, que começou com raízes católicas, tornou-se uma manifestação ecumênica, já que Nosso Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá.

A programação é extensa e reúne missas, bençãos e uma procissão de 8 km, desde a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, até a Colina Sagrada, onde fica a Basílica do Senhor do Bonfim.

Antes da festa ganhar a dimensão que se tem hoje, reunindo mais de 2 milhões de pessoas, ela começou com a chegada das imagens de Senhor Jesus do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia em 1745. As imagens foram trazidas de Portugal pelo membro da marinha portuguesa que sobreviveu à tempestade após suas orações.

A princípio a festa acontecia em uma capela e a tradição da lavagem da escadaria só começou em 1773, quando os escravos eram obrigados a lavar o espaço para preparar a festa. Hoje são as baianas que cumprem o papel de lavar, não somente a entrada da igreja com arruda e alfazema, como também os devotos.

Já a tradição da amarração das fitinhas não se sabe ao certo como começou. O fato é que ela era conhecida como “Medida do Bonfim”, por medir 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo Senhor do Bonfim, que fica no altar da igreja mais famosa da Bahia.

A celebração acontece na segunda semana de janeiro, depois do Dia de Reis. Além da parte religiosa, também existe uma programação “profana” que reúne até mesmo trios elétricos e uma corrida de rua.

Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia

Entre as igrejas mais antigas de Salvador está a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que foi construída em 1549. Toda feita de pedra colada com óleo de baleia, a obra demorou 300 anos até ficar pronta e envolveu gerações de artesãos.

Entre obras artísticas, a basílica também guarda relíquias de São Mateus. A história conta que a igreja ficou conhecida com este nome por estar próximo da praia e também foi local onde os restos mortais de Irmã Dulce ficaram por oito anos no altar, antes de serem levados, por definitivo, para a Capela do Convento Santo Antônio.

Nossa Senhora da Ajuda (Sé de Palha)

Escondida na Rua do Comércio, entre prédios antigos, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda é dona de uma importância histórica única: a igreja é considerada a primeira a ter recebido o título de Sé no Brasil, com isso, ela também ficou conhecida como Sé de Palha.

A sua construção é de taipa de pilão e foi coberta de Palha, com uma simplicidade acolhedora. A imagem de Nossa Senhora da Ajuda teria sido trazida pela esquadra de Tomé de Souza em 1549. Os vitrais franceses, depois colocados na parte superior das paredes, tornam-se um ponto que chama a atenção dos olhos.

Igreja do Carmo

As escadarias da Igreja da Ordem Primeira do Carmo chamam a atenção no Pelourinho, assim como o tamanho do espaço que ela ocupa. Além de local de oração, a igreja já serviu como quartel general das forças de resistência durante a invasão holandesa e foi lá que os holandeses assinaram a sua rendição.

Uma parte triste da história da igreja aconteceu durante o período da escravidão: enquanto os padres pregavam mensagens de amor ao próximo em suas homilias, eles mantinham escravos em uma senzala própria da igreja.

A visitação na igreja é gratuita. Não raro você poderá encontrar grupos de estudantes posando para fotos de formatura nas escadarias que dão acesso ao interior da igreja.

Igreja do Santíssimo Sacramento do Paço

Entre as ruas do Pelourinho, a escadaria que leva até a porta da Igreja do Santíssimo Sacramento do Paço passaria despercebida se ela não tivesse sido retratada no filme “O Pagador de Promessas”, gravado no ano de 1962. Além de ser um local de oração, o atrativo do templo é a torre com a vista panorâmica para o Centro Histórico, que contempla o Elevador Lacerda, o Largo Terreiro de Jesus, a Fundação Jorge Amado, a Igreja Nossa Senhora Rosários do Pretos, as Igrejas do Carmo e, claro, uma visão ampla na Baía de Todos os Santos.

A igreja ficou fechada por mais de três anos para reforma e foi reaberta em 2018. Hoje ela preserva as suas portas nas cores azuis, sendo a única igreja do Centro Histórico que ostenta esta cor.

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

O sincretismo religiosos faz parte da rotina das missas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com músicas inspiradas em terreiros de Candomblé, ao som de atabaques. Nos fundos da igreja ainda existe um antigo cemitério de escravos.

As missas acontecem às terças-feiras e costumam lotar o espaço. Nas festividades de Santa Bárbara e Iansã, a igreja é o ponto central dos festejos e, novamente, fica cheia.

Igreja de Sant´Ana

É nos arredores da capela construída no Rio Vermelho que acontecem os festejos para Iemanjá, a Rainha do Mar. O bairro é conhecido pela sua colônia de pescadores que, assim como os devotos, fazem entregas de presentes à Iemanjá.

A atual igreja foi  construída no espaço onde existia um forte chamado Reduto do Rio Vermelho.

Igreja de Santo Antonio da Barra

Construída na Ladeira da Barra, não deve negar-se que, quem reza ali, está mais próximo do céu considerando a beleza da vista que se tem da Baía de Todos os Santos. Após a escadaria para chegar até a entrada da igreja, que é decorada com pequenas flores na porta, a brisa que vem do mar refresca e parece elevar o pensamento num momento de agradecimento.

Em Salvador existem outras duas igrejas também dedicadas a Santo Antônio.

Mosteiro de São Bento da Bahia

Entrar na igreja e encontrar os monges beneditinos em oração, cantando, vai ao caminho oposto da agitação que se vê do lado de fora, no centro comercial de Salvador. O Mosteiro ainda reúne relíquias, móveis e pinturas desde a época da sua construção, datada em 1582, expostos em um museu que pode ser visitado.

A biblioteca  é uma das mais antigas do país e também é considerada a segunda maior biblioteca de obras raras do país, com livros que datam de 1500 e 1503. Lá também funciona um laboratório de restauração do patrimônio documental e bibliográfico.

Para se programar:

Além de buscar um guia de turismo, que enriquece sua experiência e conhecimento ao visitar um novo destino, ter a companhia de um fotógrafo profissional ao seu lado faz toda a diferença na construção do registro e memórias de uma viagem.

Por isso, em Salvador, tive ao meu lado o fotógrafo Gabriel Pinheiro. Além de conhecer a cidade onde mora como poucos, a sua sensibilidade e perfeccionismo colaboraram para que trouxesse fotos maravilhosas como recordação das experiências vividas em Salvador.

O serviço fotográfico é apenas uma indicação do Meu Destino é Logo Ali, livre de qualquer contraprestação.

Salve essas dicas no Pinterest e aproveite melhor a sua viagem pelo Brasil!

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