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Muito obrigada, Axé!

Salvador foi a última cidade que visitei em 2022, antes de iniciar o meu tratamento contra o câncer de mama que havia acabado de descobrir. Além de tentar me distrair, evitando pensar em tudo o que iria e no que poderia acontecer ao longo daquele ano, fui para lá em busca da cura dos santos e orixás.

Com tantas surpresas boas que a capital baiana sempre me reserva, nada mais justo que a primeira viagem após o fim do tratamento, também fosse pra lá para agradecer!

Pois no dia 4 de junho de 2023, eu estava de volta ao Aeroporto Internacional de Guarulhos procurando meu portão de embarque com destino a Salvador. Ao todo seriam quatro dias por lá: um final de semana antes de visitar a Chapada Diamantina, e mais dois dias ao voltar do interior da Bahia, antes de voltar para São Paulo.

A expectativa era grande: além da ansiedade para conhecer de perto as belezas naturais da chapada, que eu considero a mais bonita do Brasil, estaria acompanhada do meu amigo-irmão César. Também iria reencontrar com o Tião, sergipano que conheci durante o intercâmbio, em Dublin, em 2018 e, que, por coincidência, acaso ou destino estava morando no mesmo bairro, na mesma rua, no mesmo prédio e na mesma torre que o Gabriel – o melhor anfitrião que já conheci!

Somente esse encontro de paulista com mineiro, baiano e sergipano seria o suficiente para render boas memórias. Mas a Bahia rende muito mais!

Saiba mais:

Santa Dulce dos Pobres

Assim que chegamos, César, Gabriel e eu fomos até o Santuário Santa Dulce dos Pobres. Ver a demonstração de fé dos devotos e as obras assistenciais do espaço reascendeu os sentimentos de esperança e caridade. São mais de 800 peças que ajudam a preservar e manter vivos os ideais de Irmã Dulce, que morreu em 1992.

Ao lado fica o Santuário da Bem-Aventurada, onde está túmulo da religiosa. Na mesma região ainda existe um café e uma loja, com vários produtos. Toda a renda é revertida para a manutenção das atividades das obras sociais da Irmã Dulce.

Santuário Nosso Senhor do Bonfim

De lá subimos a Colina Sagrada para visitar a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Era véspera do Dia de Pentecostes e o padre terminava de celebrar uma missa.

Eu já tinha estado lá igreja antes, mas ouvir os cantos dos fiéis, ainda do lado de fora, e ver as centenas de fitinhas ali amarradas se balançando com o vento foi como se eu estivesse sendo abraçada e envolvida por aquela energia.

Quando entramos na igreja, um seminarista chamado Carlos se apresentou para nós e passou a nos contar em detalhes a história da lavagem do Bonfim, tradição reconhecida como a segunda maior manifestação popular da Bahia. Durante o trajeto de 8 quilômetros, os devotos, fiéis e pagadores de promessas, são acompanhados pelas baianas, que levam na cabeça seus vasos repletos de água de cheiro, utilizada para limpar o chão e abençoar a todos.

Na medida que ele verbalizava a fé, sobretudo dos negros escravizados que resistiam para poder professar suas crenças, as lágrimas escorriam dos meus olhos como se fossem um sinal de purificação por estar ali, viva, agradecendo por ter mais uma chance de continuar a viver e praticando a minha fé!

Fomos então até a sacristia e o seminarista Carlos se aproximou novamente. Ao me ver enxugando as lágrimas que insistiam em cair, ele me fez uma pergunta, num tom de quem já sabia a resposta:

“Jovem, você está aqui hoje por um motivo especial, não é?”

Neste momento não tive forças para dizer “sim” e apenas balancei a cabeça, concordando com o que ele havia dito, enquanto soluçava de tanto chorar. Quando consegui explicar para ele que estava de volta para agradecer pela minha saúde, ele perguntou meu nome, estendeu sua mão sobre a minha cabeça e fez uma oração especial para mim.

As lágrimas ainda escorriam na minha pele, mas era um choro de alegria e eu estava muito aliviada. Me entreguei naquele momento de benção e nas orações que recebia.

Se eu já achava que tinha vivido grandes emoções em Salvador, aquele primeiro dia ainda estava somente começando.

Axé

A caminho da Ponta de Humaitá, ouvimos o som de atabaques, palmas e agogôs. A água de cheiro e as canforas espalhadas pelo chão revelaram que, alguns metros distante de nós, estava um grupo do candomblé fazendo suas oferendas ao mar.

Fomos atraídos até eles pelo ritmo quase hipnotizante. Em questão de segundos, aquela toque marcado havia tomado conta do meu corpo e fazia cada membro meu pulsar no ritmo da oração cantada e das danças. Ficamos ali, de longe, apenas observando a profissão de fé do grupo que vestia branco e usava colares de contas para proteção no pescoço.

Depois dessa grata surpresa, aproveitei o domingo para visitar o Pelourinho e o bairro do Além do Carmo, antes de partir para cinco dias na Chapada Diamantina.

Na volta, além das praias havia um local que era indispensável visitar: a Casa de Yemanjá, no Rio Vermelho.

Voltar ao lugar onde entreguei, minhas mais profundas orações, CURADA, sem nenhuma célula cancerígena, foi a melhor parte da viagem. Se da primeira vez senti o mar revolto dentro de mim, junto com o medo, dessa vez, em meio às flores e as velas postas no chão, agradeci. Agradeci pela minha vida, por estar ali vivenciando aquele momento, pela minha cura e por poder voltar a descobrir o mundo viajando.

Viver essa nova experiência na Casa de Yemanjá, em pouco mais de um ano, serviu para reafirmar o sentimento que levei embora comigo da primeira vez: sempre confie no poder de cura que a Bahia tem!

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