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A energia e o poder de cura de Salvador

Desde outubro do ano passado, a rotina de montar roteiros, procurar novos destinos, buscar passagens baratas e encontrar boas hospedagens deu lugar à idas aos hospitais, consultórios médicos e exames. No dia 25 de novembro, a minha avó materna – mulher que me criou e minha eterna rainha – falecia depois de um diagnóstico de câncer no intestino.

E assim, as férias, a Rota das Emoções e a tão sonhada volta ao Maranhão foram canceladas. Além disso, eu precisei continuar cuidando da minha saúde também e o Natal e o Ano Novo foram em casa com a família.

Mas a saudade de fazer as malas, passar pelo portão de embarque e sair da rotina estavam fortes demais. Com tantos acontecimentos dos últimos meses, aprendi a dar valor ao dia de hoje e viver intensamente. Com isso, resolvi comprar uma passagem pra passar um final de semana em Salvador!

Apenas dois dias? Sim.

O meu diagnóstico era pesado demais pra quem viaja só com a bagagem de mão. Por isso, por apenas dois dias, resolvi esquecê-lo aqui em São Paulo pra revisitar a capital baiana e que(m) amo.

Costumo brincar que a blogueira que vos fala está aposentada e, por isso, a minha preocupação seria “apenas” em sentir a energia da Bahia, sem obrigações turísticas e fotos instagramáveis.

Em dois dias, me conectei mais com Salvador do que nos quatro dias que fiquei por lá quando conheci a cidade pela primeira vez. Chegando lá, o café da manhã foi num balcão de uma padaria no Terreiro de Jesus ao lado de gente simples, mas com uma limpeza de orgulhar a Vigilância Sanitária.

Do alto da Fundação Jorge Amado observei com calma os detalhes dos casarões do Pelourinho e das torres das infinitas igrejas que parecem espetar o céu. Ao andar pelas ladeiras, senti a brisa refrescar o calor do verão, “vi o bloco Olodum ao passar na avenida” e entrei no ritmo da música.

Aproveitei pra matar a saudade do carnaval também no Museu do Carnaval, que conta toda a história do axé e da festa popular mais famosa da Bahia e do Brasil. Ah, como “eu queria que essa fantasia fosse eterna…”

Como Toquinho e Vinicius de Moraes já cantaram, a Bahia tem “um mar que não tem tamanho” e também concordo com os poetas sobre como é bom “passar uma tarde em Itapuã e falar de amor em Itapuã”, sentindo a água quentinha vinda do mar e a sombra que vem dos coqueirais a te abraçar.

Fui até o Farol da Barra “pra ver o sol se pôr” e não sabia que lá fica mais gostoso ainda quando anoitece, as luzes se acendem e o gramado fica repleto de gente.

Apesar de ter visitado alguns pontos turísticos da cidade, o meu foco era outro: queria me conectar com a energia de Salvador. E na descida do Pelourinho, antes de chegar no Além do Carmo, virei a direita e entrei em um mercado. Ali vi o altar de Santa Bárbara dividindo espaço com Iansã, os atabaques, flores e oferendas – tudo isso em meio aos boxes de peixes e comidas.

Durante a visita ao Museu do Mar deixei um pedido escrito num papel, dentro de um barquinho, que seria entregue para Iemanjá no dia 2 de fevereiro. De longe, pelas redes sociais, acompanhei o momento da entrega do meu pedido no mar e senti uma calmaria, como as ondas que acolheram aquele barquinho nas águas.

Mas foi na Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho, que senti o mar revolto de emoções dentro de mim. Depois de fazer meu pedido pra Rainha do Mar cuidar da minha saúde, me senti acolhida entre as conchinhas, velas e flores daquela gruta na vila de pescadores.

Não foi preciso entender muito a fé de quem crê nos orixás pra sentir a energia daquele lugar. O texto “Um oriki para Iemanjá”, de Aninha Franco, que estava escrito na parede foi a minha oração, minha entrega e minha prece de cura.

Na saída encostei minhas costas na pilastra que sustenta a imagem de mosaico de Iemanjá que fica logo na entrada da Casa.

As ondas do mar pareciam quebrar no meu corpo, que ficou agitado e me fez chorar. O resto eu não sei explicar, só soube sentir e confiei no poder de cura da energia que a Bahia tem.

IMPORTANTE: Antes de viajar, verifique as condições visitação no destino e siga sempre os protocolos de segurança e de higiene para o combate do coronavírus.

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Comentário

4 Comments

  1. Texto cheio de sentimento e verdade.
    Amei e foi um dos mais lindos que vc escreveu até hj.
    A cura vem de dentro e vc vai alcançar o bálsamo que a sua alma precisa.

  2. Amo todos os seus textos, mas este, em especial, fala tanto sobre vc, sobre sua força e sobre a coragem que mora dentro te ti. Foi impossível não me emocionar

  3. Que texto!
    Cheio de sentimento, de verdade, de emoção… Você encanta com as palavras e não é de hoje!
    Esse texto me fez refletir sobre o presente, sobre o que me alfinge, mas também sobre fé e esperança.
    Obrigada minha amiga por tocar nossos corações e fazer com que coloquemos mais um destino na nossa lista!
    Te amo!

  4. Que incrível, fico feliz por ter tido essa conexão, nada como estar no lugar certo quando precisamos. Lindo texto.


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