Conheça o tour que revela as mulheres que fizeram história em SP

Publicado em 8 de março de 2020

Maiara Barbosa

Apesar da contribuição para a história, para a cultura e a política, nomes como Yolanda Penteado, Marquesa de Santos, Maria Augusta Saraiva, Tarsila do Amaral, Nair Belo e Inezita Barroso ainda podem passar despercebidos pelo Centro de São Paulo em meio à tantos monumentos e ruas dedicados às figuras masculinas. Durante este mês de março, porém, um roteiro diferente quer apresentar o lado feminino que ajudou na construção da cidade e na história do país.

O passeio é gratuito e acontece aos sábados, sempre às 11h. A guia de turismo Ana Kátia é uma das responsáveis pra condução do tour. O roteiro começa pelo Pátio da Estação do Metrô São Bento e tem duração de duas horas. Confira as histórias das personagens lembradas:

Marquesa de Santos além da amante de Dom Pedro I

A existência de Domitila de Castro Canto e Melo parece ter resumido-se apenas ao fato da Marquesa de Santos ter sido uma das amantes mais conhecidas de Dom Pedro I. O que poucos sabem, porém, é que o casarão por ela adquirido foi palco de inúmeros eventos culturais, que tiveram a participação de intelectuais da época.

A Marquesa de Santos morou no endereço da Rua Roberto Simonsen, 136 entre os anos de 1834 e 1867. O pavimento superior conserva até hoje paredes de taipa de pilão e pau-a-pique do século XVIII e mantém as características do século XIX.

Hoje o Casarão chama-se Solar da Marquesa de Santos e é aberto para visitas, além de abrigar a sede do Museu da Cidade de São Paulo. Além da sua contribuição para o cenário intelectual e cultural de São Paulo, a Marquesa de Santos também ajudou as pessoas mais necessitadas no final da sua vida.

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Maria Soldado à frente da Revolução Constitucionalista de 32

Foto: Sociedade de Veteranos MMDC

No ano que São Paulo se rebelou contra o país, as mulheres e a sociedade em geral organizaram-se para financiar os combatentes. O prédio Ouro Para o Bem de São Paulo é um marco do período, já que ali a população entregava suas peças de ouro (incluindo alianças) para levantar fundos para a revolução.

Uma mulher, porém, se destacou entre as demais e resolveu fazer mais que as doações. Maria José Bezerra ficou conhecida como “Maria Soldado” ao ir aos campos de batalha junto com os homens.

Há relatos de que “Maria Soldado” ganhou fama na época da revolução por ter pego em armas e ter lutado com valentia no conflito. O prédio Ouro Para o Bem de São Paulo fica na Rua Álvares Penteado.

Presença feminina na Faculdade de Direito

Foto: José Luis da Conceição/OAB-SP

Em uma época em que a presença feminina era barrada em diversas esferas da sociedade, até mesmo nos estudos, Maria Augusta Saraiva fez história ao ser a primeira mulher a ingressar na Faculdade de Direito, que fica no Largo São Francisco, em 1897.

Após o feito, ela colecionou outras importantes vitórias, como também a ser a primeira mulher que atuou no Tribunal do Júri e ao ser nomeada ao cargo de honra da Consultora Jurídica do Estado.

Saiba mais:

A efervescência da Semana de Arte Moderna seu lado feminino

(à esquerda, Tarsila do Amaral; à direita, Anita Malfati)

O ano de 1922 foi marcado pela Semana de Arte Moderna que sacudiu, não só São Paulo, mas o Brasil todo. O Theatro Municipal de São Paulo foi o palco principal do movimento que marcou o início do modernismo brasileiro e inaugurou uma nova linguagem e liberdade artística.

No meio deste cenário, nomes como Tarsila do Amaral e Anita Malfati, ganharam vozes em meio aos demais artistas. Apesar de não ter participado do evento, em si, Tarsila do Amaral é lembrada quando se fala da Semana de 22 por ser considerada um pilar do modernismo brasileiro.

A importância do trabalho de Tarsila também se reflete em uma proposta de compra do seu mais famoso quadro, Abaporu, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo em 2018: R$ 120 milhões foram oferecidos por um colecionador brasileiro.

Já Anita Mafalti, que era pintora e desenhista, participou da Semana de Arte Moderna com 22 trabalhos.

Yolanda Penteado: a embaixadora cultural do Brasil

A influente família Matarrazo deixou como símbolo o prédio da Prefeitura de São Paulo na cidade. Yolanda Penteado, que casou-se com Ciccillo Matarazzo, é considerada uma peça chave para a fundação e o sucesso da Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

No começo da década de 1950 ela viajou pelo mundo com um dossiê missão de convencer os países a participarem do novo evento. E, assim, em 1951, aconteceu a primeira edição da Bienal, com a participação de grandes nomes, como escultor suíço Max Bill e o artista espanhol, René Magritte.

Após a fala de Aracy Amaral, Yolanda ficou conhecida como “a embaixadora cultural do Brasil”.

A explosão cultural no Palacete Tereza Toledo Lara

O prédio que sediou a rádio Record e os famosos festivais de música, no século passado, guarda muita história da construção cultural e de resistência do Brasil.

Em uma época em que as mulheres ainda não eram totalmente bem vistas ao trabalharem com música, Inezita Barroso e Nair Belo, por exemplo, marcaram época ao quebrar tabus e, de quebra, fizeram muito sucesso.

O palacete onde aconteciam as apresentações hoje dá lugar ao espaço chamado Casa de Francisca, oferece uma programação de shows e conta com um restaurante também.

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