De repente, eu desacelerei.
Antes, enxergava como uma obrigação preencher todos os dias livres das férias com atividades durante as viagens. Eu basicamente trocava a agenda de trabalho, os horários dos compromissos, por maratonas de visitas aos museus, passeios em pontos turísticos, etc.
Até usava o termo “obrigações turísticas” em conversas com os amigos pra citar aquela parte maçante da viagem em que eu visitava os mesmos lugares que todo mundo, encarava grandes filas e aglomerações pra repetir as mesmas fotos que a internet já estava saturada de ver.
Essa onda de seguir o que está bombando na internet talvez tenha me levado pra lugares que eu nem tivesse tanto interesse assim em conhecer. Afinal de contas, assistimos as viagens se tornarem verdadeiros espetáculos nas redes sociais.
Só que tudo que a gente é obrigado a fazer, uma hora cansa. E com as viagens não foi diferente.
Nessa onda de influenciar e ser influenciado, o melhor é considerar a sua felicidade durante os dias merecidos de folga. Ninguém é obrigado a cumprir roteiros nas férias. Férias, inclusive, significa período de descanto se formos consultar no dicionário.
Viagens não são produtos a serem comercializados. São experiências únicas que devem envolver seus sonhos e sua felicidade. Nada mais que isso.
E foi com isso em mente, que reparei que a minha mala de viagem foi ficando cada vez mais simples e leve nos últimos. Fui trocando os destinos das minhas listas de viagens e algumas janelas de “dias livres” foram ganhando espaço no meu calendário também.
No meio disso tudo, priorizar destinos de natureza – que eu sempre gostei – me fizeram entender o quanto estar na praia, na floresta, ou na montanha pode acalmar a mente e me ajudaram a lembrar de quem realmente eu sou.
Antigamente pesquisava fotos dos locais que ia visitar pra pegar referências de looks pra garantir os meus cliques: Roupas estampadas ou lisas? Que cores contrastam melhor com a paisagem? Quais acessórios levar? A nossa felicidade não pode ser superficial a ponto de ser medida em likes…
Durante os 13 dias que estive na Amazônia, em 2025, por exemplo, tinha levado 3 shorts. Acabei usando só dois, de tecidos mais leves e confortáveis pro calor. Excesso de peso e na vida não faz bem a ninguém!
Mas a mudança do estilo de viajar pelo qual eu tenho passado não diz respeito às roupas que levo na mala. Priorizar destinos de natureza me vez voltar às minhas origens, reencontrar meu passado e a minha infância ao visitar simples vilarejos Brasil à dentro.
Nas trilhas, descobri a coragem que carrego dentro de mim pra vencer os desafios e obstáculos do caminho que eu não sabia que seria capaz de enfrentar um dia. Isso me ajudou a fortalecer a autoconfiança e a resiliência.
Seja no topo da montanha, ou no pôr do sol na praia, o silêncio de permanecer em paz, sozinha comigo mesma, me ajuda a escutar a natureza e os meus próprios pensamentos. Isso só reforça aquela velha teoria que a gente não precisa de muito pra ser feliz.

Longe da rotina da cidade e do asfalto, na simplicidade das pessoas e dos lugares que encontramos pelo caminho, a gente consegue se conectar com aquilo que realmente é essencial e desligamos o modo do piloto automático. É nessa hora, que uma refeição simples, num lugar sem luz elétrica ou internet, se torna tão especial e valioso. É quando a gente não deixa o tempo escapar rolando o feed das redes sociais e paramos pra ouvir as histórias de quem vive ali.
Se você se interessou e ficou curioso pra tentar descobrir como é essa experiência, tenha em mente que esse poder de conexão consigo mesmo e com a natureza podem acontecer em qualquer destino. Afinal, a felicidade não é um destino.





Ninguém comentou ainda, seja o primeiro!