Toda vez que a gente volta de uma viagem, a mala volta mais pesada. O “problema” é quando a gente traz, junto com as roupas sujas para lavar e as lembranças da viagem, alguém no coração. Uso a palavra problema (escrita entre aspas) porque conciliar as distâncias nem sempre é uma das tarefas mais fáceis.

Por mais que a gente planeje roteiros, os passeios, as conexões, os restaurantes e museus que vamos visitar, quando se trata das coisas do coração, não há planejamento que resista. Quem já se aventurou numa paixão durante uma viagem, ou retornou com um relacionamento sério, sabe do que estou falando! 

Encontrar o “amor da minha vida” (se é que isso existe) nunca foi o meu objetivo principal nas viagens. Romances acontecem, mas, o que cada vez eu tenho entendido melhor, é como uma nova viagem pode representar um recomeço na minha vida e ajudar a superar os problemas.

Costumo dizer que o Meu Destino é Logo Ali foi a válvula de escape que eu precisava num momento complicado da minha vida. Com o tempo percebi também que ele foi a resposta que buscava para a minha liberdade e ajudou-me diante de uma decepção/dependência de um relacionamento amoroso em que não houve responsabilidade afetiva do outro lado.

(Quem esperava um final feliz dos contos de fada pode desistir da leitura que ainda dá tempo!)

Assim como a paixão aconteceu durante uma viagem sozinha – a primeira, aliás, carregada de expectativas com a liberdade almejada – a lição de superação veio exatamente um ano depois, em outra viagem sozinha, mas muito maior: o intercâmbio que me proporcionou uma viagem interior e de autoconhecimento.

O sofrimento, as angústias, o choro e os 6 quilos a menos na balança provocados pelas crises de ansiedade de quem tentou manter um relacionamento à distância, a gente deixa de lado aqui! Tudo isso é passado e foi totalmente superado. Mas como?

Às vésperas de embarcar para o intercâmbio na Irlanda estava alheia à todas as mudanças que aquela viagem prometia.

A ansiedade, que sempre me acompanhou e me fez perder algumas noites de sono antes das viagens, deu lugar a um vazio dentro de mim. Cheguei a me sentir culpada por não aproveitar o momento: primeira viagem internacional, a realização de um sonho em conhecer a Europa e, de quebra, voltaria a estudar.

Mas foi só encontrar o meu assento 52 na fileira L do voo com destino a Dublin que as coisas mudaram. Aquela bagagem era pesada demais para eu levar!

A nova rotina e obrigações foram me consumindo, ocupando minha mente e, entre novos amigos, novos destinos, deixei de lado os pensamentos antigos. Me dei conta que fui capaz de sobreviver sozinha, limpando, cozinhando, economizando, acordando cedo para aula e, claro, viajando sozinha!

Voltei de viagem e percebi que o problema não tinha sido comigo. Não me culpava mais pelo fim. Tinha sido intensa, me entreguei. Porém, há pessoas que preferem apenas molhar os pés quando estão diante do mar por medo.

A lição que ficou é que nem todas as coisas boas duram pra sempre. Elas duram o tempo suficiente para se tornarem inesquecíveis e para que a gente aprenda alguma coisa. E assim embarquei em novas viagens e novos amores. Porém, ainda não cheguei no meu destino final.

Enquanto isso, sigo com a minha mochila nas costas, coração aberto e refém daquilo que o destino me reserva.

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2 Comments

  • Juliana
    Posted 17/02/2021

    Aí Mai, fico contente de você ter aberto esse coração é contado mais aqui!!! Eu me identifico tanto contigo, embora não tenha vivido amores em viagens, mas de outras formas! E essas lições aprendidas são conselhos incríveis pra mim!

  • Carol
    Posted 18/02/2021

    Maiara, adorei… Texto corajoso.
    O bom foi que aprendeu a amar a própria companhia, a se sentir inteira… Quem chegar agora é pra somar, transbordar, não mais completar.
    Que as suas próximas viagens sejam repletas de aventuras românticas ou não, mas que encham esse blog com ótimos textos.

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