Hoje temos aviões e boas rodovias que encurtaram as distâncias e o tempo de viagem. Ainda assim, viajar de trem continua agradando diversos viajantes. Viajar sem pressa, apenas observando a mudança da paisagem pela janela do trem é um ótimo convite para conhecer um destino com outro olhar.

Por isso, algumas rotas de trem do Brasil tornaram-se turísticas e, o que antes era apenas um meio de locomoção, tornou-se uma atração para vivenciar uma nova cultura e aprender histórias do passado. Confira as curiosidades de 15 rotas de trem em operação no Brasil:

Trem da Vale (Ouro Preto x Mariana)

A construção da ferrovia entre as duas cidades históricas de Minas Gerais começou em 1883 e, quando a rota foi concluída, em 1914, o trem ajudou no desenvolvimento econômico de Ouro Preto e Mariana. O objetivo da linha férrea era melhorar o escoamento das riquezas minerais.

Desde 2006, a linha começou a funcionar exclusivamente para o transporte de turistas. A viagem é feita em locomotivas produzidas na Inglaterra e, alguns exemplares dos carros, estão em exposição nas estações de trem de Ouro Preto e de Mariana.

A viagem demora cerca de uma hora e percorre 18 quilômetros, passando por túneis, cachoeiras e paredões de pedra.

Maria Fumaça de Tiradentes (MG)

A Maria Fumaça que liga Tiradentes até a cidade vizinha de São João Del Rei é uma das poucas ainda em operação no Brasil. Os bancos de madeira não deixam a viagem, que margeia o Rio das Mortes, menos confortável.

Ao longo de 30 minutos, a paisagem revela pastos e as tão famosas montanhas de Minas Gerais.

Para adoçar o caminho, quitutes mineiros são vendidos na locomotiva em um tablado de doces. No final da viagem, em São João Del Rei, é possível visitar o Museu Ferroviário.

Lá estão expostos equipamentos, fotos, objetos e até a locomotiva fabricada em 1880 que transportou a composição que trouxe Dom Pedro II para São João Del Rei quando a linha ferroviária foi inaugurada em 1881.

Trem de Passageiros Belo Horizonte x Vitória

Você imagina quantas horas dura uma viagem entre Vitória, no Espírito Santo e Belo Horizonte, em Minas Gerais de trem? São 13 horas a bordo de uma locomotiva do trem de passageiros da Vale.

Por conta da longa duração da viagem, o trem é equipado com poltronas confortáveis e são servidas refeições, como nos aviões.

Trem do Vinho (RS)

Além do chocolate e do frio, outro grande atrativo da Serra Gaúcha são os vinhos. Para vivenciar melhor ainda esta cultura, uma Maria Fumaça percorre os trilhos do trem entre as cidades de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa e Garibaldi regada à muito vinho e música.

Logo no embarque, em Bento Gonçalves, junto com o seu bilhete, o visitante já recebe uma taça de vinho que, com certeza, não ficará vazia ao longo da viagem.

Ao longo do percursos, descendentes de italianos animam a viagem com apresentações musicais e danças dentro do vagão.

Já nas paradas, novos sabores de vinhos são oferecidos para a degustação. Nas estações também há opções de lojas de doces e lembrancinhas da viagem.

A rede ferroviária chegou na Serra Gaúcha  no início do século XX para facilitar o escoamento da produção de vinhos e demais produtos da região. Até a década de 1970 a Maria Fumaça servia de transporte para passageiros e, até os anos 1990, ela transportava cargas.

Hoje a linha é operada pela empresa Giordani Turismo, responsável pela manutenção e a conservação, tanto da locomotiva, quanto da linha ferroviária e das três estações.

Trem da Serra do Mar (Curitiba x Morretes)

Ao longo de 110 quilômetros, a ferrovia que liga a capital paranaense até a cidade de Morretes passa por 13 túneis e 40 pontes!

Incontáveis cachoeiras e abismos também completam a paisagem. A viagem demora cerca de 4 horas e, em alguns trechos, a locomotiva atinge a velocidade de apenas 20 km/h.

A viagem inaugural aconteceu em 1884 e tinha como passageira a Princesa Isabel. Hoje, a viagem é operada pela Serra Verde Express e os valores variam de acordo com o tipo de assento e os serviços oferecidos, como guia, ar condicionado, lanche e parada exclusiva em um mirante.

Uma sugestão para aproveitar melhor o tempo (e economizar dinheiro também) é fazer apenas um trajeto de trem: ou Curitiba x Morretes ou Morretes x Curitiba.

A viagem contrária pode ser feita de ônibus da Viação Graciosa, com passagens de aproximadamente R$ 26 reais e que duram, em média, 1h30.

Em Morretes, o ecoturismo e o charme do Centro Histórico completam a fama da gastronomia da cidade. O prato típico de lá é o barreado, uma mistura de pedaços de carne com mandioca.

Para saber o ponto exato de servir o prato, nos restaurantes a panela é virada sobre a cabeça dos clientes para constatar que há liga.

Trem do Forró

Os sacolejos do trilho do trem ficam ainda mais animados na linha que liga Recife até Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, por conta da trilha sonora da viagem. O forro pé de serra invade dez vagões do trem, animando os viajantes!

A primeira viagem do Trem do Forró aconteceu em 1991 e, de lá pra cá, mais de 214 mil pessoas pessoas embarcaram na dança. As viagens acontecem sempre no mês de junho, por conta das festividades juninas.

Trem das Águas (MG)

O Trem das Águas funciona no sul de Minas Gerais, ligando as cidades de São Lourenço até Soledade de Minas.

O caminho é feito ao som de clássicos sertanejos, com a presença de violeiros. A viagem tem 10 quilômetros e passa por belas paisagens.

Nas paradas existem algumas feirinhas de artesanato, lojas de bebidas, como licores, cachaças e vinhos, e lanches.

As saídas acontecem, de São Lourenço, sempre aos finais de semana, feriados e emendas de feriados.

Trem do Corcovado (RJ)

Sem dúvida, este passeio está na lista de desejo de muitos viajantes, já que conhecer o Corcovado, no Rio de Janeiro, é uma tarefa quase obrigatória para quem visita a Cidade Maravilhosa.

O passeio é feito em uma locomotiva elétrica e atravessa o Parque Nacional da Tijuca até os pés do Cristo Redentor.

O Trem do Corcovado já levou papas, reis, príncipes, presidentes da república, artistas e cientistas em seus vagões. O passeio de trem é considerado o mais antigo do país ainda em operação e, a cada ano, mais de 600 mil pessoas fazem o trajeto.

Expresso Turístico de Paranapiacaba (SP)

Entre as opções para chegar até a tradicional vila de ingleses construída em Paranapiacaba está o Expresso Turístico que parte da Estação da Luz, na cidade de São Paulo. A viagem acontece sempre aos domingos e os ingressos são concorridos.

A viagem é feita a bordo de uma composição da década de 1950 totalmente reformada. O percurso tem 48 Km e leva 1h30.

Chegando em Paranapiacaba, a influência do trem também marca presença no vilarejo: ali está em operação a segunda locomotiva mais antiga do Brasil, que hoje integra o acervo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).

Uma opção é encaixar o passeio no mês de julho, quando acontece o tradicional Festival de Inverno de Paranapiacaba, com apresentações de rock, MPB e música clássica. Ou então, no mês de maio, quando acontece a Convenção das Bruxas e Magos de Paranapiacaba.

Já para quem gosta de trilhas e cachoeiras, o ideal é visitar Paranapiacaba no verão. Independentemente do período que for até lá, o importante é caminhar pela vila, sentir o seu clima bucólico e experimentar o cambuci.

Maria Fumaça de Jaguariúna (SP)

No interior de São Paulo, a locomotiva da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro faz o trajeto entre as cidades de Jaguariúna e Campinas.

Completamente recuperada e restaurada em suas cores originais, a locomotiva a vapor faz viagens aos finais de semana e feriados.

A dica para completar o passeio é aproveitar o Botequim da Estação, em Jaguariúna. Após o desembarque, um pequeno museu foi construído na estação para contar a história da linha férrea e, ao lado dele, um animado barzinho serve de parada na viagem, com música ao vivo, ambiente aconchegante e boa gastronomia.

Maria Fumaça de Guararema (SP)

Próximo de São Paulo, a cidade de Guararema também conta com um passeio de Maria Fumaça. A “velha senhora”, que fazia parte da antiga linha da estrada de ferro da Central do Brasil, que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro.

O passeio foi inaugurado no ano de 2015 e liga a charmosa cidade do Vale do Paraíba até o distrito de Luis Carlos, todo revitalizado para receber os visitantes e a Maria Fumaça.

A viagem acontece em três composições de madeira fabricados na Inglaterra entre 1896 e 1937. Além disso, a Maria Fumaça também tem um carro caboose, um vagão diferenciado com varandas.

Antigamente, era neste caboose que o condutor e o guarda-freios preenchiam sua papelada e resolviam problemas mecânicos. Ele também era utilizado como abrigo de inverno, já que lá dentro sempre havia uma fornalha para aquecimento, para cozinhar e camas para dormir.

O trajeto a bordo da Maria Fumaça tem 6,8 km de extensão e dura cerca de duas horas. O destino final é a Vila Estação de Luis Carlos, que já foi cenário de filmes e novelas e hoje abriga comércios e restaurantes em uma clima pacato difícil de ser encontrado em outros lugares.

Para quem for completar a visita conhecendo Guararema, a cidade conta com parques construídos à beira do Rio Paraíba, um mirante e praças para sentar-se e tomar um sorvete, como nos velhos tempos, com segurança e tranquilidade de ares do interior.

Estrada de Ferro Campos do Jordão (SP)

A fama de que Campos de Jordão era indicada para pacientes em recuperação de doenças pulmonares, por conta do ar úmido da serra, fez com que médicos sanitaristas buscassem a viabilização de uma estrada de ferro para o acesso aos sanatórios.

A obra foi iniciada em 1912 e, em 1914 ficou concluída – o que foi um tempo recorde para a época.

Na década de 1920, a ferrovia viveu seu auge e era utilizada, não só para os pacientes e seus acompanhantes, mas também para o transporte dos moradores e de mercadorias.

Na década de 1970, a ferrovia foi desativada para o transporte de mercadorias e, hoje, opera exclusivamente para o transporte de visitantes.

O trajeto completo tem 47 quilômetros e passa pelas cidades de Pindamonhangaba, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão. É possível realizar o trajeto completo, passando pelas três cidades, ou então, escolher uma das cidades para o embarque.

Trem da Serra da Mantiqueira (SP)

O Trem da Serra da Mantiqueira começa na cidade de Passa Quatro e vai até a estação de Coronel Fulgêncio, ao longo de 10 quilômetros.

No embarque, na estação de Passa Quatro construída em 1884, os passageiros podem visitar uma exposição fotográfica. No meio da viagem, na parada da Estação Manacá, existe uma feira de artesanato e quitutes mineiros.

Já na estação final de Coronel Fulgêncio, após a subida da serra, é possível visitar uma exposição fotográfica com registros de minisséries que foram gravadas no local.

Ali também é feita a visita ao Grande Túnel, que divide os estados de São Paulo e Minas Gerais, onde aconteceu embates durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

Trem de Ferro Carajás

Por entre pontes sobre o Rio Tocantins, cortando montanhas, é possível se locomover de São Luis, no Maranhão, até Parauapebas, no Pará.

Assim como o trem de passageiros da linha Belo Horizonte x Vitória, esta linha não é pensada como atração turística, mas a viagem compensa pelas paisagens que ela apresenta.

A viagem dura 16 horas e conta com serviço de bordo, com lanchonete e restaurante.

Trem das Termas (SC)

Para quem visita o estado de Santa Catarina é possível fazer um passeio de Maria Fumaça entre as cidades de Piratuba e Marcelino Ramos. São 25 quilômetros por um passeio de volta ao passado.

O embarque é feito na estação de Piratuba e, após alguns quilômetros, avista-se a comunidade do Alto Maratá e o extinto complexo ferroviário do Uruguai e suas ruínas.

Pelas margens do Rio do Peixe, o cenário que se avista é de pequenas propriedades até chegar na ponte Belga, construída em 1913. A ponte tem 455 metros de extensão e passa  sobre o rio Uruguai, que divide os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A viagem dura, em média, 4 horas (ida e volta + parada) e é acompanhada por monitores, show de humor e músicos.

Na estação de embarque, o visitante pode conferir o acervo ferroviário da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Já na parada de Marcelino Ramos há opções de passeios, como visitar ao Santuário de Nossa Senhora da Salete ou o Balneário de Águas Termais.

Salve essas dicas no Pinterest e aproveite sua viagem pelo Brasil!

Fotos:

Vale/divulgação

Serra Verde Express/divulgação

Trem do Forró/divulgação

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/divulgação

Trem do Corcovado/divulgação

Estrada de Ferro Campos do Jordão/divulgação

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